quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Futebol Francês paga por seus maus modos! E o esporte como negócio também

Postado por Vinícius Stéfani

Esta publicação foi feita pelo jornal Metro Paris no primeiro dia de junho. Ela demonstra a evolução do descontentamento dos franceses com o futebol.

Após muitos escandalos, dentro e fora de campo, o futebol francês é cada vez menos adorado pelos franceses. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Institut Médiascopie (Intituto de pesquisas audiovisuais francês) a pedido do Minstério de Esporte Francês.
Um gol roubado contra a Irlanda. As “estrelas” que pagam para ter relações sexuais com uma prostituta menor de idade, e que ainda estão sob investigação. Uma greve em pleno mundial que tem repercução no mundo inteiro. Um treinador que insulta e seu sucessor que participa de uma reunião com objetivos “detestáveis”. Em um ano, de novembro de 2009 à novembro de 2010, é impossivel o futebol francês francês fazer pior.


18 de novembro de 2009 – A mão de Henry. Neste dia a França jogava contra a Irlanda por uma vaga na Copa do Mundo da África do Sul. Na prorogação, Henry controla a bola com a mão e dá o passe para o gol decisivo de Gallas, que colocou a França no mundial.

17 de abril de 2010 – O caso Zahia. A prostituta Zahia Dehar declarou ter tido relações sexuais com jogadores da seleção francesa quando ela era menor de idade. Os problemas começam para Ribery e Benzema. Ribery reconhece mas diz que ela afirmou ser maior de idade. Benzema nega. O caso ainda está sob investigação.

20 de junho d 2010 – A greve dos jogadores. Os jogadores decidiram que não iriam treinar em protesto contra a decisão de Domenech de cortar Anelka, que o insultou no intervalo do jogo entre França e Mexico, em pleno mundial.

28 de abril de 2011 – O caso das “cotas”. A divulgação de uma reunião realizada na Federação Francesa de Futebol em novembro do ano anterior, na qual o treinador da Seleção Francesa, Laurent Blanc, fez parte. Na qual foi discutido o estabelecer de cotas para jogadores “binacionais” (frances de origem, mas também de outra nacionalidade) nas seleções de base. Uma nova polémica.

Segundo esta pesquisa, o futebol é, de longe, o esporte com a imagem mais negativa de entre todos os outros na França, e, além disso, não é considerado como um esporte para o futuro.

A pesquisa mostra que outros esportes estão ganhando espaço, principalmente o handebol e o rugby, pois eles ainda conseguem conservar o espirito de equipe e o amor pelo esporte.

Da natação ao tênis, passando pelas artes marciais, e outros esportes, estes estão bem melhor situados que o futebol, até mesmo o ciclismo, que sofre com os muitos casos de dopping, está melhor colocado.

O hand, com seus otimos resultados é justamente aclamado, por transmitir valores aos quais os franceses se identificam – “Em nossa seleção não há estrelas”, Claude Onesta, treinador da Seleção Francesa de Handebol. O mesmo acontece com o rugby, embora ele tenha no futuro, uma tendência para o “business”. Neste sentido, os atletas, nadadores e judocas, são mais valorizados que os jogadores de futebol e seus egos insuportáveis.

Um grande reflexo de tudo isso é o campeonato francês (Ligue 1), que nesta temporada (2010/2011) atraiu, em média, 19.742 espectadores nos estádios. Este é o nível mais baixo em 13 anos.

Para Ghemmour, jornalista da Eurosport e co-fundador da SoFoot, “quando há dinheiro envolvido, há uma necessidade de contrôle da imagem, e, portanto, um distanciamento começa ocorrer.” Caso do futebol que é, disparadamente, o mais praticado e o que mais ganha financeirameite. Ele ainda diz que o mesmo ocorrerá futuramente com handebol e o rugby, onde o profissionalismo começa aumentar.

Segundo Guy Roux, consultor do Canal+ (tv à cabo francesa) e conselheiro do Auxerre (Clube da primeira divisão francesa), “tudo que aparece nas pesquisas ou estudos de jornais ou no ministério do esporte, é um reflexo das mídias. Por que é que os franceses pensam que o futebol está ligado ao dinheiro? Porque a maioria dos artigos são dedicados a ele.” Para Roux, não tardará o dia em que o rugby se torne a mesma coisa, pois o processo de profissionalização do esporte está acelerado.

Para Denis Muzet, sociólogo e presidente do Institut Médiascopie, o principal vilão dessa rejeição francesa ao futebol, além dos maus modos dos jogadores e dirigentes, é o “Sport business”. Ele explica toda a pesquisa realizada:

“Cada esporte tem sua própria representação na mente dos franceses, segundo seu mediatismo, sua capacidade de transmitir uma imagem positiva do “espírito esportivo” ou sua propensão a se deixar levar naquelas que são as derivas do “sport business”. A nossa investigação revela uma diagonal que vai desde os esportes menos apreciados e que menos desejamos ver amanhã até os esportes mais amados e que julgamos serem os esportes do futuro. Os perdedores são o ciclismo e o futebol, julgados os mais desnaturados em relação aos valores desportivos (dopping para o ciclismo e decepção face a seu mediatismo excessivo e a submissão à lei do dinheiro para o futebol). O tênis, melhor cotado, é ultrapassado pelas artes marciais, a ginástica, o rugby e o atletismo e, finalmente pela natação. Mas é o handebol que prevalesse a 7,1 no eixo vertical e 7 na horizontal. Esta classificação se encontra certamente ligada às vitórias recentes das equipes de hendebol e natação. Contudo, este não se trata apenas do fruto da conjuntura: Rugby e handebol são esportes coletivos que transmitem um espírito que os franceses gostariam de ver mais representado nas mídias. Enfim, terá de se fazer descobrir todos os esporte e, longe do “dinheiro Rei”, o esporte se reabilitará, através da sua prática, essencialmente amadora.”

Em resumo, esta reportagem mostra o quanto que precisamos ser profissionais e o quanto a imagem das pessoas envolvidas no esporte, atletas ou dirigentes, é importante para o seu desenvolvimento. Na França as pessoas chegaram ao ponto de dizer que preferem o esporte em sua forma amadora, pois segundo elas, ele guarda a essência do esporte, que perdemos assim que o profissionalizamos.

O que isso tem a ver com o esporte no Brasil? Tudo! Não podemos deixar as pessoas, consumidores esportivos, acreditarem que o amadorismo é melhor que a profissionalização. As atitudes dos jogadores e dirigentes do futebol francês, estão fazendo com que as pessoas percam a vontade de consumir o esporte. Isto acaba tornando-se um prejuízo, afetando a opinião coletiva e mundial dos amantes do esporte...como nós brasileiros!

Postado por Vinícius Stéfani

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